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Segunda e última parte do conjunto de textos que falam sobre os pontos negativos das expansões mais recentes de World of Warcraft.

Fala galera, como vocês estão? Obrigado, desde já, por acompanharem mais um texto meu! Vamos fechar este ciclo de textos sobre as últimas expansões do WOW. No texto de hoje vamos focar mais na expansão atual, Battle for Azeroth. Para os mais distraídos, na semana passada eu dei mais ênfase no que aconteceu em Legion – caso você queira (re)ler esse texto, clique aqui.

Battle for Azeroth é a atual expansão de World of Warcraft. Estamos nos aproximando do lançamento de um patch muito importante e esperado, que finalmente irá trazer Azshara e Nazjatar para o jogo. Confesso que estou bastante empolgado para poder vivenciar essa parte da Lore, mas ao mesmo tempo bem receoso, principalmente no tocante à Lore de Azshara (eu cheguei a fazer um texto sobre ela, clica aqui para dar uma conferida). Importante salientar que este artigo será tão assertivo quando o de Legion, pelo simples fato da expansão ainda estar a meio (e tem a possibilidade de melhorar – ou piorar). Mas vamos lá começar a falar de BfA desde o seu lançamento!

Anúncio de Battle for Azeroth

BfA foi anunciada durante a BlizzCon de 2017 e foi uma euforia sem tamanho. O trailer se passava durante a Batalha de Lordaeron e mostrava as forças da Horda e Aliança se digladiando, dando ênfase a Sylvanas e Saurfang pelo lado da Horda e Anduin e Greymane do lado da Aliança – tudo isso com um CGI fabuloso. Confesso que quando vi o trailer eu fiquei tão hypado para comprar (a pré-venda começou a ser liberada momentos depois do anúncio) que eu mandei mensagem para a minha ex-noiva totalmente surtado. Ela reparou que eu estava tão hypado que comprou a expansão para mim.

Sylvanas e Anduin no Trailer Cinemático de Battle for Azeroth

Algumas novidades também foram anunciadas, como as Expedições Insulares (que prometiam ser legais), os Warfronts (quem tem como dar uma melhorada) e finalmente uma treta colossal entre Aliança e Horda. Um novo sistema de gear também foi anunciado, que seriam as Azerite Armor (ou Armadura de Azerita em português), que nada mais é que uma mistura do horroroso sistema de Artifact Power (Poder de Artefato) de Legion com o Netherlight Crucible (Crisol de Eterluz) de Argus – e isto é capaz de ser o maior erro da expansão (ao lado da Lore).

Começo de Battle for Azeroth

Eu demorei pouco mais de 10h para pegar level cap em Battle for Azeroth – sem poções de aumento de XP e com pausas para comer e ir ao banheiro, claro. Como disse no começo, estava bem hypado. Na primeira madrugada eu só foquei em dar rush para o level 120 (fui dos primeiros no Brasil a pegar level cap) mas no dia seguinte consegui explorar mais o jogo. A coisa que mais me chamou a atenção durante o jogo foi, sem dúvida nenhuma, a Campanha de Guerra. A ideia é muito boa, de verdade – vermos a Guerra entre facções nos mais diversos pontos de vista. Quando experimentei as Expedições Insulares achei legal, mas passado três ou quatro você acaba enjoando e vendo que aquilo só vale a pena pelos colecionáveis e pela missão semanal de Azerita (e o chato é que você é obrigado a fazer no mínimo 05 Expedições para poder upar o barco). Warfronts é bom para farmar gear PvP sem muito esforço (qualquer pessoa consegue fazer o que é proposto nesse modo de jogo). Eu ainda sou da opinião que deveria existir Warfronts PvE e PvP, pois assim ninguém seria forçado a fazer um método de jogo que não gosta para pegar algo (e aqui entre nós, Warfront PvP deveria ser muito legal, não é mesmo?).

O leveling de Battle for Azeroth achei legal, mas após os seus lendários deixarem de ter efeito, você nota uma quebra muito grande de desempenho (a curve foi muito abrupta). Lembro que no começo muita gente reclamou do scalling de mobs (e realmente, estava exagerado), mas felizmente parece que eles deram uma enxugada nessa questão. No entanto, o leveling é dos pontos altos da expansão (tanto é que já tou com 6 personagens no 120 e eu odeio upar)!

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Mapas de BfA: Zandalar e Kul Tiraz

O que mais senti falta em BfA, em comparação com Legion, foi a identidade de classes. Enquanto em Legion tínhamos quests específicas para cada classe, montarias exclusivas e, acima de tudo, gear e transmogs condizentes com a temática de cada classe, em BfA a Blizzard resolveu deixar tudo nivelado de acordo com o tipo de armadura de cada classe, ou seja: classes que usam pano têm todas o mesmo transmog, classes que usam malha têm todas o mesmo transmog e por aí vai… Escusado será dizer que ficou um lixo (que o digam os leaks de Nazjatar).

Personagens sub-aproveitados (de novo)

Enquanto Legion teve personagens importantes sendo pulverizadas com um estalar de dedos à la Thanos (como Kil’jaeden, Taecondrius, Varimathras, etc), em Battle for Azeroth a Blizzard sequer colocou ou deu ênfase a certos personagens.
O personagem que mais causa confusão em não ter uma profundida boa é Anduin. Todos aqui sabem que eu sou totalmente Horda, anti-Aliança e, acima de tudo, anti-Anduin, mas agora era a hora certa para explorar este personagem. Um moleque que perdeu a mãe cedo (culpa do pai que não pagou os pedreiros), que teve problemas de relacionamento com o pai, que teve dificuldades em se “encontrar na vida”, agora é um jovem adulto que, do nada, virou líder de uma facção no meio de uma Guerra. Desculpa perfeita para focar nele… e o que a Blizzard faz: foco excessivo em Jaina. Tudo bem que tem muita coisa naval na expansão e que Kul Tiraz sempre foi conhecida por sua poderosa frota, mas dava para dar um foco no Anduin também, né? Eu confesso que estava esperançoso que Anduin tivesse um certo foco na expansão, principalmente depois do livro Before the Storm (para quem não sabe, eu fiz um resumo de cada capítulo do livro lá na minha página do Facebook, dá uma conferida lá). No entanto, depois do que vi na expansão, parece que o livro foi lançado para tirar um pouco Anduin da equação da expansão, tendo ele permanecido apenas no livro mesmo.

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Anduin Wrynn, líder da Aliança

Achei legal a tentativa da Blizzard explorar os líderes raciais aqui e ali (Tyrande e Malfurion na Batalha da Costa Negra, Baine dando uma pistolada contra a Sylvanas, Alleria tendo uma boa presença na Campanha de Guerra da Aliança – e Gallywix fazendo cagada na Campanha de Guerra da Horda). Personagens que, normalmente, não são tão focados, mas que a Blizzard decidiu dar um tempinho de antena nesta expansão – o que acho bem legal. No entanto, nada de Anduin. Espero que isso mude no decorrer da expansão.

Os problemas de Battle for Azeroth

Alguns erros de Legion foram mantidos em Battle for Azeroth. Um deles, conforme já citei anteriormente, é o sistema de Armadura de Azerita. Mais um apelo total a farm infindável sem lógica alguma (porque agora no 8.2 vamos peidar e colocar o Colar de Azeroth no nível 50 – exatamente o que aconteceu com a Arma Artefato após o 7.2) e totalmente inundado de RNG (você por vezes que farmar o mesmo slot de gear para pegar um trait bom para a sua especialização, perdendo muito tempo com isso). Na minha humilde opinião, o sistema de Armadura de Azerita é uma mistura de dois sistemas de Legion: o farm excessivo de Poder de Azerita (antes chamado de Poder de Artefato, ou AP/PA – até a sigla ficou igual) e os traits são tão random quanto as relíquias das Armas Artefato, com um toque do Netherlight Crucible (Crisol Etéreo) lá pelo meio.

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Interface de Traits de Armadura de Azerita

Outra herança de Legion foram as consequências de uma Lore exagerada. Lembram de Argus, mais precisamente da Vindicaar? Então, porque é que a Aliança não usa a Vindicaar para arrebentar com a Horda inteira e sair vitoriosa da Guerra? Esse ponto foi levantado por fãs, tanto no Reddit como nos fóruns oficiais e foi alvo de resposta em um Q&A oficial do Ion Hazzikostas – o qual não soube responder com fatos ou com uma história coerente, apenas afirmando que “eles queriam dar ênfase na Jaina”. Isto tudo me leva a crer que o departamento de Lore de World of Warcraft tem sérios problemas de comunicação entre si – o que é bem triste.

O rumo que a Lore tomou (até ao 8.2) também não me agradou muito. O Lore do leveling foi ótimo, isso devo admitir. Mas depois disso, muita coisa ficou chata, sem desenvolvimento e perdendo um pouco do sentimento de guerra entre facções. Mesmo a Campanha de Guerra deu umas guinadas sem muito sentido (como o Gallywix esquecendo de abastecer a máquina dele em plena guerra e quase matando o herói de Azeroth…). O jeito agora é “rezar” muito para que Azshara não seja um boss passageiro igual Kil’jaeden e Argus foram.

E falando em bosses de Raids: de novo um erro. Enquanto em Legion a Blizzard tentou socar tudo o que era personagem importante em uma Raid, em BfA acontece precisamente o contrário. Em Uldir tivemos bosses com pouca relevância e em Battle for Azeroth meio que deu uma equilibrada (mas mesmo assim tem como melhorar). Com os leaks do Palácio Eterno de Azshara, disponível no patch 8.2, também vemos que a única personagem presente na Raid com uma lore massuda por trás é a própria Azshara.

O que ainda esperar de Battle for Azeroth

Tem tudo para dar certo, devo confessar… mas as últimas atitudes da Blizzard no tocante à Lore me deixam muito com um pé atrás. Como disse, estou ansioso para o patch de Azshara. Se for bem trabalhada, temos material para mais uma expansão com Azshara e N’zoth como foco (se bem que eu acho difícil isso acontecer, mas não custa sonhar).

Agora, e para finalizar, se me permitem, vou deixar umas dicas para a Blizzard (tio Ion, leia isto por favor):

  • Míticas+: Continua, Blizzard! O maior acerto do Legion, continuado no Battle for Azeroth. Um ótimo meio termo entre Raids e Heroic Dungeons, com dinâmicas diferentes semana a semana. Não canso de elogiar este modo;
  • Challenge Mode: Em Legion tivemos a Torre dos Magos e foi algo fantástico! Está faltando o equivalente em Battle for Azeroth. A dica essencial é deixar que o Challenge Mode de BfA tenha recompensas que sigam com o personagem pós-expansão, seja um título, transmog ou montaria;
  • RNG: Já deu! Claro que sorte sempre foi um fator em RPGs e deve ser mantido – mas não em excesso. O sistema de AP é chato demais (e, com as catch-up mechanics de patches vindouros, esse farm se torna obsoleto), ter sorte para vir um gear bom já é suficiente, não precisa de sorte para vir um gear bom e 4 ou 5 traits decentes. Tudo o que é demais é chato;
  • Personagens: Dar foco em quem realmente precisa de foco. Aproveitem que a expansão ainda não terminou e peguem em Anduin, que é um personagem que dá para trabalhar muito bem! Na Raid do 8.3 certifiquem-se de ter uma variedade legal de bosses, ou seja, não sigam a receita no “8 ou 80”. Ainda dá para salvar a expansão;
  • Warfront PVP: Por favor, nunca pedi nada! O sistema é bem legal, dinâmico, dá para jogar no erro do adversário… Mas para já só existe a versão PvE. Se tiver versão PvP vai ser muito legal, confiem em mim;
  • Quel’dorei na Aliança: Isso aqui é zuera, foi só para terminar com chave de ouro e irritar uma galera.

Bem galera, por hoje é isto. Semana que vem vou falar um pouquinho sobre Guildas! Não esqueçam de trocar ideia comigo lá no Facebook e de assistir a live do Xalasca hoje, por volta das 19h lá no canal da Twitch do BarraDois.