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Fala galera linda que o Kfour tanto ama, gosta, curte, meh. O tema de hoje provavelmente vai dar o que falar (até porque é para isso que o Xalasca e Gallywix me pagam). Como muitos de vocês sabem, no começo de World of Warcraft, existiam classes que eram exclusivas para facção: os Xamãs eram exclusivos para jogadores de Horda e Paladinos eram exclusivos para jogadores da Aliança. Isso durou apenas no Clássico, visto que no The Burning Crusade, que foi a primeira expansão do WoW, entraram os Elfos Sangrentos na Horda e os Draenei na Aliança (que podiam ser Paladinos e Xamãs respectivamente).

Neste texto de hoje irei dar a minha opinião (muito foco na palavra “minha”) a respeito desta questão e dar o ensejo para o próximo texto que será abordado por mim na próxima semana!

O Xamanismo no WOW

Os Xamãs no WOW são mortais que conseguem comungar com os Elementos e, desta forma, utilizar de seus poderes. Em lore, o Xamã precisa pedir autorização aos Elementos para que este possa utilizar os seus poderes, diferentemente de outras classes, como Magos e Bruxos, que manipulam as energias a seu bel-prazer. É sabido que caso um Elemento se negue a auxiliar o Xamã, este se vê impossibilitado de realizar qualquer ação que tenha como essência esse Elemento (à exceção dos Dark Shamans (Xamãs Sombrios), uma tropa de Xamãs a mando de Garrosh, que “escravizava” os Elementos e os obrigava a compactuar com suas ações e desejos).

Escudo da Classe de Xamã

Orcs e o Xamanismo

Além de ser uma classe, o Xamanismo também era cultura e tradição. Os clãs órquicos de Draenor reverenciavam os Xamãs de suas tribos como líderes, aos quais pediam conselhos e direções. Eles eram quase tão importantes quanto o próprio Chieftain de cada clã (e muitas das vezes, Xamãs eram nomeados Chieftains pela condição destes serem extremamente respeitados). Festas em honra aos Elementais eram organizadas no Trono dos Elementos, em Nagrand (como foi descrito no livro “Rise of the Horde”, sem tradução para português), nas quais os Xamãs participavam e agradeciam os Elementos por toda a ajuda que lhes era oferecida. Os Orcs de Draenor eram Xamãs proficientes, mas isso foi mudando ao longo do tempo. Após a aliança de Gul’dan com Kil’jaeden e a corrupção e captura de Ner’zhul por parte do Concílio das Sombras, os Elementos não viam mais os Orcs como seres dignos de utilizarem os Elementos e abandonaram a raça, fazendo com que fosse impossível manter o contato encerrando assim a comunhão entre Orcs e Elementos. Com isso, a Vileza foi sendo cada vez mais utilizada pelos Orcs. A utilização excessiva dessa energia foi contaminando a fauna e flora dos locais e os Orcs, dominados pelo Sangue de Mannoroth, se tornaram extremamente agressivos e começaram a atacar e matar todos os Draenei da região. Quando não havia mais nada para conquistar em Draenor (pois os Draenei sobreviventes estavam refugiados em Shattrath) e com a necessidade de terras férteis e seres vivos para poderem sobreviver e saciar sua sede de sangue, os Orcs invadiram Azeroth através do Portal Negro, dando origem à história que todos nós conhecemos.

 

shaman xama orc wow
Xamã Orc

 Os Paladinos do WOW

Possivelmente, os primeiros Paladinos foram os Draenei (que adoravam os seres de Luz chamado Naarus) e os Trolls Zandalari (que cultuam Rezan), tendo em conta o tempo de existência destas raças no Universo de Warcraft. No entanto, os Paladinos que vou focar aqui são os Humanos, pelo simples fato dos Paladinos Humanos terem sido introduzidos primeiro no jogo, se seguindo pelos Paladinos Elfos Sangrento, que foram introduzidos apenas no TBC e os Paladinos Zandalari que foram introduzidos agora no patch 8.1.5.
Os Paladinos no WOW são uma junção perfeita entre a fé na Luz e suas técnicas com um conhecimento e proficiência em técnicas de combate, utilização de armas, como machados, espadas, maças e escudos e armadura de placa resistente e pesadas.

paladino paladin crest escudo wow
Escudo de Classe de Paladino

Humanos Paladinos

Fundados sob o nome de Knights of the Silver Hand (Cavaleiros do Punho de Prata) durante a Segunda Guerra pelo Arcebispo Alonsus Faol, um importante sacerdote e por Uther, um exímio guerreiro, os Paladinos tinham como principal intuito proteger a população de Lordaeron, que estava extremamente prejudicada após a derrota na Primeira Guerra contra os Orcs de Draenor. A mistura de técnicas de combate com a manipulação da Luz Sagrada faziam (e fazem) dos Paladinos uma unidade de combate temível para os seus inimigos: eles podem aguentar grandes pancadas e investidas graças à sua armadura pesada e escudos imbuídos com o poder da Luz, seus ataques são poderosos pois misturam o poderio de espadas e maças com a mão pesada da justiça da Luz Sagrada e sua resiliência é extremamente alta devido aos poderes de mitigação e cura que a Luz proporciona. Não foi por acaso que o desfecho da Segunda Guerra foi decidido por um Paladino chamado Turalyon, um ex-sacerdote. Turalyon foi um dos primeiros cinco soldados dos Cavaleiros do Punho de Prata, ao lado de Uther, o Arauto da Luz, Saidan Dathrohan, Tirion Fordring e Gavinrad. Após ver seu mestre e líder Anduin Lothar ser morto por Orgrim Doomhammer, o Warchief (Chefe Guerreiro) da Horda durante a Segunda Guerra, Turalyon pegou a espada estilhaçada de Anduin Lothar e avançou contra Orgrim e seu exército, sendo capaz de derrotar e aprisionar Orgrim e empurrar o exército invasor de volta para o Portal de onde eles haviam vindo.

human humano paladin paladino
Paladino Humano

Como essas classes foram introduzidas para as outras facções?

Como já mencionei, as classes foram introduzidas na primeira expansão de WOW, chamada The Burning Crusade. Com o lançamento dessa expansão duas novas raças foram adicionadas ao jogo: Os Blood Elves (Elfos Sangrentos) na Horda e os Draenei na Aliança. Foram exatamente essas mesmas raças que ganharam as classes em questão.

Elfos Sangrentos Paladinos

A história por trás dos Elfos Sangrentos serem Paladinos tem como foco um Naaru chamado M’uru.
Os Altos Elfos, agora conhecidos por Elfos Sangrentos em honra dos seus parentes e amigos mortos após a invasão e destruição da sua cidade por parte do Lich Rei, haviam perdido grande parte da sua fé na Luz, pois eles acreditavam que a Luz os havia abandonado quando o Flagelo os atacou. Algo precisou ser feito para que eles pudessem novamente a ter a Luz como aliada, mas essa questão não era fácil, pois tratava-se de Fé, algo que não pode ser “forçado”. Foi então que Kael’thas Andassol (o líder dos Elfos Sangrentos na época) decidiu invadir Tempest Keep (A Bastilha da Tormenta) em Outlands (Terralém) – antiga Draenor. Lá ele se deparou com M’uru, um Naaru e foi aí que ele capturou esse ser e o enviou para Quel’thalas, para que o seu povo pudesse novamente ter contato com a Luz Sagrada. Os magos de Quel’thalas aprenderam a manipular a energia do Naaru capturado de forma artificial e assim a Fé não era necessária para que os poderes da Luz pudessem ser utilizados pelo povo élfico. Logo após a captura do Naaru, um novo exército foi criado no seio da sociedade de Quel’thalas. Os Blood Knights (Cavaleiros Sangrentos) foram formados a pedido do Grão-Magíster Rommath e tiveram Lady Liadrin, uma antiga Sacerdotisa, como líder.
Fazendo uma alusão rápida, os Cavaleiros Sangrentos seriam o equivalente aos Cavaleiros do Punho de Prata da Horda, com a diferença de que a sua contraparte da Aliança tinha realmente Fé na Luz Sagrada, enquanto os Cavaleiros Sangrentos manipulavam as energias de um Naaru para poderem canalizar o poder da Luz Sagrada em combate.

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Lady Liadrin, líder dos Cavaleiros Sangrentos

Draenei Xamãs

Por outro lado, temos a novidade que foram os Draenei Xamãs. Mas como isso surgiu?
Como já mencionei, após Gul’dan e a maioria dos Orcs terem se submetido aos poderes da Vileza, os Elementos abandonaram o povo órquico e se mantiveram fora de contato com os habitantes de Draenor por longos anos. Os Draenei foram as principais vítimas dessa aliança dos Orcs com a Legião Ardente, tendo sido praticamente extintos. Após serem devastados pelos Orcs possuídos pelo Sangue de Mannoroth, muitos Draenei foram perdendo a fé na Luz Sagrada graças à influência causada pela Vileza, que emanava pelos corpos dos Orcs e dos locais que eles devastavam. Akama, Nobundo (personagem de extrema relevância para esta questão), assim como outros Draenei, passaram por transformações físicas que os transformaram em uma subespécie de Draenei chamada Broken/Krokul (Degradado). Anos após a batalha de Shattrath, que foi o último reduto dos Draenei em Terralém, Nobundo visitava um pico de uma montanha e tentava se comunicar com algo ou alguém, à procura da Luz Sagrada ou de um propósito para a sua vida. Ele voltava sempre sem resposta, até que uma vez ele obteve uma e quem se comunicou com ele foi o próprio Vento (um dos Elementos). Após ser guiado até Nagrand (clique aqui para ler esta história na íntegra no site oficial do WOW), Nobundo começou o seu treinamento nas técnicas Xamanísticas, sendo aluno dos próprios Elementos. Após ter passado pelo seu treino, Nobundo partiu em busca dos Draenei, para contar sobre as suas habilidades e como isso poderia ajudar os Draenei a sobreviver. Infelizmente, ninguém dava ouvidos a um Degradado, que era considerado, muitas vezes, uma raça inferior devido ás suas transformações. Felizmente, um Draenei deu ouvidos: Velen. O Profeta Velen, líder dos Draenei em Draenor (e posteriormente em Azeroth) acreditava que o caminho dos Elementos, assim como o caminho da Luz, era um caminho digno e que deveria ser seguido. Com o incentivo de Velen, Nobundo foi para Zangarmash e lá ele ensinou aos Draenei o “Caminho do Xamanismo”.
Posteriormente os Elfos Sangrentos, liderados por Kael’thas invadiram Terralém e lá eles avançaram em direção a Bastilha da Tormenta, uma antiga fortaleza Naaru, em busca de M’uru (entrelaçando as duas histórias neste ponto). Sem ter por onde escapar, os restantes Draenei se refugiaram em uma das alas da Bastilha da Tormenta, chamada de Exodar, e fugiram. No entanto, Exodar havia sido sabotada pelos Elfos Sangrentos e logo a nave-interespacial se despenhou em Azeroth, dando assim começo à história dos Draenei em Azeroth.

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Nobundo

Implicâncias na Lore e Implicâncias na Mecânica

Vamos começar pela prática e pelo aspecto óbvio: ter classes exclusivas para uma facção em um jogo com duas facções jogáveis é sinônimo de treta, discussão e, muitas vezes, de desiquilíbrio. Numa época em que cada classe tinha dezenas de habilidades, uma árvore de talentos na qual o jogador poderia personalizar de forma mais detalhista o seu personagem, em que pequenos detalhes faziam toda a diferença (como ter uma necessidades de resistência ou um buff específico), entre tantos outros detalhes, esse desequilíbrio era muito mais nítido. Em algumas Raids do Vanilla/Clássico, Xamãs dariam uma enorme ajuda e em outras Paladinos eram vistos como uma prioridade – mas aí só a Aliança tinha Paladinos e só a Horda tinha Xamãs. Tendo isso em vista, a Blizzard viu que era essencial colocar Xamãs na Aliança e Paladinos na Horda, como forma de balancear. Não vou me alongar muito sobre este ponto (Mecânica), visto que será tema de uma coluna minha muito brevemente e vou passar diretamente para as implicâncias na Lore e questões “filosóficas” começando pelos Paladinos.

Paladinos na Horda

Até hoje, toda a questão de Paladinos na Horda me causa coceira (e olhem que Paladino é a minha segunda classe hoje em dia e foi a minha main durante o meu começo no WOW, na época que eu jogava na Aliança). Apesar de eu não gostar muito de Elfos Sangrentos Paladinos, eles ainda têm mais lógica que o Draenei Xamã, na minha opinião. Por quê?
Porque antes de poderem ser Paladinos, os Elfos já tinham contato com a Luz Sagrada. A própria Lady Liadrin, líder dos Elfos Paladinos, havia sido uma Sacerdotisa. Então, de certa forma, esse contato com a Luz Sagrada já havia sido estabelecido. Houve uma quebra da Fé (e esta é a palavra-chave para esta questão) dos Elfos Sangrentos com a Luz, mas a crença nela já havia sido feita anteriormente. Com isto, faltava apenas uma “faísca” para reacender essa chama. Claro que não concordo com o fato de Rommath e Kael’thas terem escravizado um Naaru e ter feito o seu povo se “alimentar” da Luz desse Naaru de forma a restabelecer um contato ou ligação com a Luz. Após a batalha contra Kil’jaeden no Platô da Nascente do Sol, o Sunwell (Nascente do Sol) se transformou numa mistura de energia Arcana com energia Sagrada e mudou toda essa forma como o povo élfico lidava com ambas as energias. Além da já citada crença na Luz Sagrada, os Elfos Sangrentos já eram guerreiros também – basta relembrar que a maioria dos primeiros Cavaleiros Sangrentos eram membros da Guarda Real de Quel’thalas, ou seja, faziam parte da elite de protetores do seu povo. Paladinos, na sua gênese, nada mais são que Guerreiros com crença na Luz e que misturam ambos para poderem ser “Guerreiros da Luz”, por assim dizer. Aliando a sabida crença na Luz Sagrada ao fato de Elfos Sangrentos terem treinamento de Guerreiro, ser Paladino era um próximo passo (e estamos comparando aqui com os Paladinos Humanos!!!).

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Paladino Elfo Sangrento

Xamãs na Aliança

Draeneis Xamãs… Hoje em dia a Aliança tem outras raças que podem ser Xamãs, como Kul Tirenos e Anões, mas no TBC eram apenas os Draenei. Ao contrário dos Elfos Sangrentos, que tinham tido crença e seguiram a Luz Sagrada anteriormente, não há registros de Draenei que seguiam os Elementos antes de Nobundo – Draenei eram essencialmente devotos da Luz Sagrada e dos Naaru. Além disso, os Draenei nunca tiveram nenhuma conexão direta com os poderes Espirituais e Elementais até Nobundo (e estou me baseando no gráfico Cosmológico do WOW, presente no livro Crônicas), ou seja, eles marcavam mais presença nos espectros da Luz/Sagrado e Realidade – o máximo que eles tiveram de contato com essa filosofia foi vendo os Xamãs Orcs na época em que os dois povos viviam em paz e harmonia (e há menção de Draeneis Caçadores no livro “Rise of the Horde”, classe que tem um pezinho no espectro “Natureza”). Mas a tecla que eu mais bato quando falo desta questão é uma de ordem mais filosófica. O Xamanismo era (como eu já citei neste documento), além de uma classe, uma tradição, filosofia e até mesmo crença (e novamente, sugiro que quem possa, leia o livro “Rise of the Horde”, pois fala bastante sobre esta questão mais cultural do Xamanismo). Não nos podemos esquecer que os Draenei foram quase que extintos pelos Orcs de Draenor, que dizimaram suas cidades, aldeias, templos e mataram qualquer Draenei que viam pela frente. A submissão de Nobundo e dos restantes Draenei a essa vertente filosófica é extremamente incoerente na minha visão. Por não ser apenas uma classe, mas sim uma cultura, os Draeneis aceitaram que Nobundo os ensinasse os caminhos de uma classe, com bases culturais, dos mesmos seres que praticamente terminaram com a sua existência. E isso não me cabe na cabeça. Não consigo conceber um grupo de pessoas que aceitem aprender e seguir algo que uma vez, de certa forma, os perseguiu. Outro detalhe que a meu ver impacta bastante nesta discussão, é a questão da Fé. Fé é um conjunto de crenças e estas crenças podem ser subjetivas, interpretativas e muito pessoais. Os Paladinos Humanos tinham fé na Luz Sagrada e por isso conseguia canalizá-la para se defender ou para atacar os seus inimigos. No entanto, é sabido que você pode fazer o Mal utilizando a Luz Sagrada, como era o caso da Cruzada Escarlate (aqui é discutível) ou o caso flagrante do Arcebispo Benedictus, que mesmo se aliando com Asa da Morte para trazer o Fim dos Tempos, ele continuava utilizando a Luz Sagrada. Se o utilizador da Luz tivesse Fé que aquilo que ele estava fazendo era o correto, ele conseguia manipular a Luz – isso não aconteceria com os Elementos (como pudemos ver, os Orcs perderam o contato com os Elementos quando decidiram embarcar na Vileza e só conseguiram recuperar o contato com os Elementos quando Thrall escapou do seu cativeiro). Esse mesmo Thrall perdeu parte da sua comunicação com os Elementos por ter “desobedecido” as diretrizes dos Elementais e do Xamanismo). Isto tudo para dizer que acredito que, tendo isto em mente, é mais fácil manipular um poder ou energia (como os Elfos Sangrentos fizeram com a Luz/M’uru) do que tentar enganar um Elemental, pedindo a sua ajuda para canalizar uma ou outra energia Elemental para você utilizar para fazer o mal.

shaman xama draenei
Draenei Xamã

Mas, o que importa acima disto tudo, é o que a Blizzard diz (infelizmente, muita das vezes). Se ela diz que o vento bateu na orelha do Nobundo e ele virou Xamã está valendo, então está valendo. Mas mesmo assim quero sabe de vocês: O que vocês acham?
Tá valendo Draenei Xamã e Elfo Sangrento Paladino? Por quê? O que vocês mudariam? O que vocês jamais alterariam? Deixem aqui nos comentários ou comentem lá no tópico do Facebook as suas opiniões a respeito do assunto e do meu texto!