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Antes de mais, gostaria de me apresentar a todos vocês que dedicam uns minutinhos das suas vidas para ler os fantásticos artigos do BarraDois: Meu nome é Patrick (mas a esmagadora maioria das pessoas me chama de Kfour), tenho 28 anos, dos quais 11 são jogando World of Warcraft (com algumas interrupções aqui e ali, óbvio) e sou o mais novo colunista deste Portal! Acho que fui convidado para fazer parte do time porque o Xalasca viu que estava tudo muito certinho e então decidiu chamar um cara polêmico, com opiniões fortes para “botar fogo no parquinho”… Se o negócio pegar fogo, culpem ele e não este que vos escreve.

Kfour, o novo Colunista do BarraDois

Como primeiro texto vou falar um pouco do que eu acho sobre a nova Raid, que vai estrear no Patch 8.2 e sobre a Lore que engloba (ou poderá englobar) esse Patch, bem como Patches vindouros.

A Rainha Azshara é um personagem há muito esperado pelos fãs de World of Warcraft, principalmente aqueles mais atentos à Lore do Universo de World of Warcraft. A sua vinda, confesso, que já era esperada, principalmente após o seu próprio Warbingers, mas foi com a revelação do Patch 8.2 (intitulado Rise of Azshara) que tivemos essa certeza.

Mas quem é a Rainha Azshara?

Azshara era uma elfa kaldorei, líder do seu povo e considerada a Rainha de Kalimdor. A Rainha era extremamente respeitada, tanto pela sua posição na sociedade como pela sua habilidade com a magia arcana – até aos dias de hoje, mais de 10 mil anos após ter sido vista pela última vez, ela é considerada uma das magas mais habilidosas de sempre a ter pisado Azeroth.

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Rainha Azshara

Por ter todas essas características, Azshara também era a líder dos Highborne (Altaneiros, em português), uma seleta casta de elfos com altas capacidades arcanas que formavam um grupo de elitistas da sociedade élfica e que serviam como conselheiros-mor da Rainha. Se misturarmos tudo isso e juntarmos uma certa dose de narcisismo com uma pitada de complexo de superioridade, Azshara se tornava um alvo “fácil” para os líderes da Legião Ardente. Após Sargeras ter conseguido a confiança de Xavius (na época, o conselheiro de maior confiança de Azshara), a Rainha prontamente ficou encantada com todas as promessas de poder que o Titã Negro lhe oferecia. O objetivo de Xavius e Azshara era simples: utilizar as energias da Nascente da Eternidade para deixar o mundo perfeito aos seus olhos. No entanto, Sargeras tinha outros planos: ele queria utilizar as energias da Nascente para expurgar as raças inferiores de Azeroth. Foi após muitas promessas e muita manipulação por parte dos líderes da Legião Ardente que Azshara, por fim, condenou toda Azeroth. Ao concordar em ajudar Sargeras, a Rainha Azshara e os Altaneiros encabeçados por Xavius, começaram uma série de rituais com o intuito de criar um imenso portal no centro da Nascente da Eternidade para que os soldados da Legião pudessem entrar em Azeroth e colocar em prática o seu plano. Apesar da intervenção de grandes heróis como Tyrande, Malfurion, o “anti-herói” Illidan e os “viajantes do tempo” Korialstrasz, Broxigar e Rhonin, os Altaneiros conseguiram criar um portal grande o suficiente para que uma grande força da Legião entrasse em Azeroth. Liderados por Hakkar e Mannoroth, as forças da Legião destruíram tudo o que estava pelo caminho, contaminando a fauna e flora do local e corrompendo aqueles que se recusavam a ajudá-los. Foi por pouco que o próprio Titã Negro, Sargeras, não conseguiu invadir o local – mas o preço para impedir que isso acontecesse foi alto demais. Ao sobrecarregar as energias da Nascente da Eternidade, os heróis causaram a Grande Cisão, no qual Kalimdor (que era um pedaço inteiriço de terra) foi rachada em vários pedaços, dando origem ao mapa que hoje conhecemos como Azeroth.

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Antiga Kalimdor, antes da Grande Cisão

Com essa Cisão, todo o povoado de Zin-Azshari (a então capital élfica de Kalimdor que ficava às margens da Nascente da Eternidade) foi totalmente submersa, bem como grande parte da sua população, incluindo a Rainha Azshara. Com uma morte quase certa no horizonte, Azshara contou com a ajuda improvável de um ser de poder inimaginável: um Deus Antigo, chamado N’zoth. N’zoth ofereceu uma saída em troca de lealdade. Ele queria que Azshara fosse sua serva e que liderasse o seu exército contra as raças mortais de Azeroth, de forma a que seu Império, que outrora havia dominado uma parte de Kalimdor, retornasse ao seu antigo esplendor. Azshara, como pudemos ver no seu Warbingers, recusou-se em ser uma simples serva, mas concordou em ajudar N’zoth caso ela permanecesse Rainha (uma vez mais demonstrando que mesmo em uma situação de desvantagem ela continuava sendo arrogante, mas, ao mesmo tempo, extremamente perspicaz e persuasiva). Com o acordo fechado, N’zoth transformou Azshara e seu povo que se afogava em Nagas evitando assim que estes morressem. Uma vez mais, Azshara se tornava Rainha, desta vez, do Império Naga.

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Azshara, depois de ter sido transformada em Naga por N’zoth

Azshara ficou na “geladeira” da Blizzard durante muitos e muitos anos, tendo a sua primeira aparição clara no supracitado Warbingers: Azshara, lançado no dia 24 de Agosto de 2018 no YouTube oficial da Blizzard (clique aqui para assistir). Hoje é sabido que ela será a última boss da Raid Azshara’s Eternal Palace (que talvez será traduzido para Palácio Eterno de Azshara), que estreará no patch 8.2.

Mas o que tem isso de errado?

Como pudemos ver na introdução deste texto, Azshara contribuiu imenso tanto para a reestruturação de Azeroth, bem como para o desenvolvimento de muitos personagens impactantes na Lore. Illidan, Malfurion, Tyrande, Rhonin, Broxigar, Shandris, Xavius, Kur’thalos, N’zoth, Legião Ardente, entre alguns outros, tiveram sua Lore direta ou indiretamente relacionadas com Azshara. É inegável a importância dela para a Lore de World of Warcraft. E o meu receio é mesmo esse… Com tanta Lore por trás do personagem e após tanto tempo na “geladeira” meu medo é que Azshara venha como um boss de um Patch e ponto final. Esse medo é redobrado pois ultimamente a Blizzard tem feito muito isso: pegar personagens e locais importantes da Lore e reduzi-los a um simples boss de Patch, sem muita profundidade. Em Legion eu flagrei 3 casos disso:

1) Kil’jaeden. Teve uma aparição efêmera, como um simples boss de Tomb of Sargeras, no Patch 7.2. Um personagem com este peso merecia ter tido mais tempo de antena durante Legion. O que salva Kil’jaeden é que ele já teve outras participações no passado, sendo, por exemplo, o último boss da raid Sunwell Plateau (Platô da Nascente do Sol). Mesmo assim, o que vimos em Legion, foi Kil’jaeden, um dos líderes da Legião Ardente (ficando apenas atrás de Sargeras e ao lado de Archimonde), aparecer apenas para ser morto como o último boss de uma Raid sem nenhum embasamento construído previamente no decorrer da expansão;

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Kil’jaeden após ser derrotado em Tomb of Sargeras (Tumba de Sargeras)

2) Argus. O território em si foi uma desilusão – na verdade, o patch inteiro foi uma desilusão. Argus tinha tudo para ser um território bom para caramba, com uma Lore e um ambiente pesado, do jeito que todo mundo imaginava que seria, tendo em conta o que aquele planeta significava para a Lore de World of Warcraft… Mas ficou reduzido a um pedaço de terra minúsculo, instanciado em 3 zonas diferentes e sem muita Lore nesses 3 locais (triste pois, afinal, ali era o berço da Legião). Tudo isso já estava ruim, mas culminou com a derrota do Titã Argus, Alma-Mundo (esse próprio fato foi controverso, visto que segundo o livro Chronicle Volume 3, Argus não tinha Alma-Mundo e, meses depois do lançamento do livro, com o release do 7.3, Argus já tinha Alma-Mundo…) em apenas um Patch, sem um background consistente prévio…

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Argus, the Unmaker (Argus, o Descriador). boss final de Antorus

3) Sargeras. O próprio Titã era esperado por grande parte dos fãs de World of Warcraft. Afinal de contas, ele era o líder da Legião Ardente, uma das poucas coisas que faziam Aliança e Horda se unirem para trabalharem juntos em nome da sobrevivência. E o que aconteceu também no 7.3? Você o vê numa simples cinemática e só! Claro, a cinemática final é ótima, principalmente dando a Illidan algo que ele sempre quis e fazendo ele dar um “table flip” em toda a sua história: ele que havia sido prisioneiro por tantos anos era agora o carcereiro do seu grande Nemesis… Mas grande parte dos amantes de Lore do WOW ficaram desiludidos por não terem tido a oportunidade de lutar contra Sargeras diretamente.

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Sargeras, o Titã Negro, na cinemática final de Antorus

Em dois Patches (7.2 e 7.3) a Blizzard conseguiu reduzir 3 personagens importantes da Lore a praticamente nada (fora todo o resto, que não tem como enumerar neste artigo). Tendo em conta essas recentes atitudes da Blizzard, colocar Azshara agora no 8.2 me dá muito, mas muito medo de ver mais um personagem tão importante ser relegado para um boss “passageiro”.

E se Azshara for um boss de apenas um patch?

Caso esse cenário se verifique eu fico um pouco com o pé atrás em relação à Lore vindoura de World of Warcraft. De certa forma perdemos a Legião (ou pelo menos ela está bem enfraquecida depois de perder 3 líderes em duas expansões seguidas – Archimonde em Warlords of Draenor e Kil’jaeden e Sargeras em Legion). Caso Azshara seja derrotada agora, a nossa única esperança é N’zoth. O problema é que não nos podemos esquecer que BfA provavelmente vai até ao Patch 8.3.5, como tem sido tradição. Se Azshara for derrotada no 8.2, temos ainda o 8.2.5, 8.3 e 8.3.5 para vir e nesses Patches pelo menos uma Raid nova vai surgir, que deixa espaço certamente para Ny’alotha e, consequentemente, N’zoth. Se perdermos Azshara e N’zoth na mesma expansão, o arco do Void/Vazio será encerrado por algum tempo (ou talvez se encerre de forma definitiva). E o que resta? Na minha opinião resta apenas uma coisa: Elementais. É sabido [ALERTA SPOILER] que Thrall vai retornar agora no 8.2. Com esse retorno, podemos esperar também o retorno do Earthen Ring (Harmonia Telúrica). Uma coisa que corrobora o retorno dos Elementais é que sempre que Azeroth passou por consideráveis mudanças, os Elementais contra-atacaram. Ora vejamos:

1) Durante a Guerra dos Três Martelos, graças a um ritual errôneo de Thaurissan, este criou uma montanha/vulcão que seria chamada, posteriormente, de Blackrock Mountain (Montanha Rocha Negra). Também graças a esse ritual, Thaurissan invocou involuntariamente Ragnaros, o Lorde Elemental do Fogo que passou a residir nas profundidades desse vulcão, num local chamado de Molten Core (Núcleo Derretido) e era a partir desse local que ele tentava conquistar a supremacia do local, numa “guerra” contra Nefarian, se aliando com outros Elementais, golens e com os Anões Ferro Negro;

2) Durante o Cataclysm, com todas as transformações causadas pelo retorno de Deathwing (Asa da Morte) ao Plano Mortal. Foi aí que Ragnaros e Al’akir ascenderam ao Plano Mortal numa tentativa de dominarem diversos locais (Ragnaros permaneceu pela região do Monte Hyjal, enquanto Al’akir ficou na região de Uldum). Existiram também movimentações por parte dos Elementais de Água e Terra.

Posto isto, e com todo o dano que Azeroth está sofrendo por causa da corrupção causada pela espada de Sargeras que foi cravada em Silithus, não me admira nada que a próxima expansão tenha foco em Elementais e, talvez nos Aspectos, até pela sua ausência in-game (a sua última participação enfática no game foi durante o Cataclysm). Isso fica mais evidente quando nas missões (chatas) de Magni ele deixa claro que apesar de todos os esforços, a corrupção e dano em Azeroth não estão reduzindo.

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Os Lordes Elementais: Al’akir, o Senhor do Vento; Neptulon, o Caçador das Marés; Ragnaros, o Senhor do Fogo; Therazane, a Mãe Terra

E se Azshara ou N’zoth não forem derrotados neste Patch/Expansão?

Aí poderá abrir as portas para o que eu realmente desejo: uma expansão voltada para um Old God ou Void (Deus Antigo ou Vazio). As chances são escassas, mas a esperança é a última a morrer. É confirmado que Azshara será o último boss da nova Raid, mas não é certo que a gente derrota ela de forma definitiva, ou seja, isso pode deixar o futuro em aberto. Mas, para isso acontecer, é necessário que os últimos Patches de Battle for Azeroth saiam da temática de Deuses Antigos e Vazio, o que eu duvido que aconteça tendo em conta tudo o que estamos vislumbrando: N’zoth aparecendo na questline da Xal’atath, Vol’jin procurando detalhes sobre quem o convenceu a nomear Sylvanas como Warchief e agora Nazjatar e Azshara.

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N’zoth

Então qual a sua derradeira opinião a respeito disto, Kfour?

Em suma eu acho que Azshara será relegada para um boss de apenas um Patch e que na última Raid de Battle for Azeroth iremos defrontar N’zoth em Ny’alotha, deixando o campo aberto para os Elementais e Aspectos na próxima expansão de World of Warcraft.

Já não é de hoje que vemos a Blizzard ignorando pedaços de Lore e personagens impactantes em prol da mecânica (eu inclusive falei sobre isso num vídeo que lancei semana passada no meu canal, clique aqui para ver ele). O subaproveitamento de muitos personagens e o descarte de grandes marcos do Universo do WOW tem sido uma constante nos títulos de World of Warcraft. E uma coisa que a Blizzard é perita em fazer é relegar os Old Gods (Deuses Antigos) a um papel secundário, limitando o seu poder e sua importância para a Lore do jogo (principalmente após as histórias lançadas nos três Chronicles). Relembro que de quatro Old Gods (estou deixando G’huun de fora), um já havia sido derrotado quando chegamos em Azeroth (Y’shaarj) e só vemos uma parte dele (o seu coração, durante os eventos da corrupção de Garrosh em Mists of Pandaria). Dos três vivos, nós derrotamos 2: C’thun, em Ahn Qiraj e Yogg-Saron em Ulduar. Desses dois Old Gods, nenhum foi um Boss de final de expansão (Yogg-Saron sequer foi Boss final da Raid, esse papel ficou ao encargo de Algalon). O único que resta é N’zoth, que o máximo que acontecerá com ele é ele se transformar no Boss final da expansão, mas com um potencial enorme para poder carregar grande parte de uma expansão sozinho nas costas.

Claro que Battle for Azeroth não chegou ao fim e poderão existir imensos plot twists que tornem Azshara e N’zoth mais relevantes, mas volto a repetir que os prognósticos não são animadores, muito por culpa da Blizzard que tem feito coisas horríveis no tocante a Lore ultimamente. Agora é aguardar para ver e torcer para que a Blizzard acorde e aproveite cada detalhe da sua Lore fantástica, que é uma grande culpada por muitos jogadores ainda jogarem World of Warcraft (eu em incluo nesse pacote).